Manu Rangel

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Umbiguismo e Banananologia

Manu Rangel | February 20, 2010

A discussão acerca do umbiguismo começou com um encontro da banananologia, em uma tarde de futebol em que o sol – bem quente – por trás daquele muro nada rente, já se ia.

Era Dia de São Siri (padroeiro dos banananólogos, porque fumar faz mal).

O moço escutou, atento, mas não entendeu nada e saiu agarrado à camisa do Flamengo. Nunca mais voltou aqui (e o olhar, não o dele, era o de São Siri).

Umbiguismo é mal humano.

É desumano não ser o outro, não parar, não sentir.

O estudo da banananologia, todo dia, continua.

Da janela, a gente olha a rua, sem saber por qual delas seguir.

E daí? A gente tem a bênção de São Siri.

A banananologia não requer regra ou ata, é o não-limite do não-permitir.

Banana não é fruta esnobe, ingrata, é barata e rica em sustança pra mente da gente melhor fluir.

Nosso estudo persiste, rindo de tudo o mais que existe, novos capítulos estão por vir.

E você, acredita em São Siri?

Se não entendeu, é só rir.

É disso que se trata a banananologia (ou caetanicamente: ou não), abandone seu umbigo, ele nunca foi seu mesmo.

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A vida é um pisca-pisca

Manu Rangel | October 29, 2009

Por essas e por outras, amigo, que Monteiro Lobato é gênio. E Emília é um dos personagens da literatura de todos os tempos que mais amo.

Por um mundo com mais Monteiro Lobato para todos:

” – A vida, senhor Visconde, é um pisca-pisca. A gente nasce, isto é, começa a piscar. Quem para de piscar, chegou ao fim, morreu. Piscar é abrir e fechar os olhos – viver é isso. É um dorme e acorda, dorme e acorda, até que dorme e não acorda mais (…) A vida das gentes neste mundo, senhor Sabugo, é isso. Um rosário de piscados. Cada pisco é um dia. Pisca e mama, pisca e brinca, pisca e estuda, pisca e ama, pisca e cria filhos, pisca e geme os reumatismos, e por fim pisca pela última vez e morre.

- E depois que morre?, perguntou o Visconde.

- Depois que morre, vira hipótese. É ou não é?”

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Tiquinho

Manu Rangel | October 10, 2009

Juro que eu queria

Um pedacinho seu assim

Pelo menos um pouquinho

De você só pra mim

Não deu, paciência

Fim.

.

.

.

Cué cué cué…

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Só essa só

Manu Rangel | August 12, 2009

Essa coisa de rir quando estou nervosa

Essa disposição, essa preguiça

Esse amor pela música, essa adoração pelo silêncio

Esse fascínio em rir à toa

Esse meu jeito que muda com a lua cheia

Esse insistimento em gostar de dias cinzas

Esse encantamento pelo sol

Esse ar paranóico-realista

Essa vontade de andar por aí

Esse hábito de começar a ler a revista da última página

Essa dependência de café

Esse medo que eu tenho do escuro

Essa impaciência quando chega a fome

Essa bobeira que me toma quando vem o sono

Essa lerdeza matutina

Essa teimosia em tentar ser completa

Esse hábito de chorar só porque me lava

Essa língua por que eu vivo pagando

Essa ideia que não para de mudar

E de voltar a ser a mesma

Essa fraqueza gigante para as dores do coração

E essa força inexplicável para suportar as dores do corpo

Essa vergonha que me faz calar

Essa coisa de não calar a boca nunca

Essa mão que continua a escrever poesia

Quando deveria aprender a fazer contas

Esse romance incurável

Essa eu só isso

Isso só

Só isso só

Essa eu somente.

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É ela

Manu Rangel | July 10, 2009

A lua entrou na sala

e me levou pela mão para a rua

Na volta pra casa

me deixou de presente

um sorriso leve no peito

Impune

a lua invadiu a sala

e me levou pela mão para a rua

O castigo por esta estripulia

quem diria

não demorou nada a chegar

Logo veio o dia

e a vida sem lua

retomou seu lugar.

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Justificativa

Manu Rangel | May 17, 2009

Se eu sou descompensada?

Claro que sim

escrevo poesia!

Se não fosse descompensada

poesia não escreveria.

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Pra esclarecer

Manu Rangel | March 26, 2009

Muitas pessoas vieram me perguntar o motivo de eu não ter postado a nova versão mística de INRI CRISTO. Dessa vez, a paródia é com Rehab, da nossa Amy Keith Richards Winehouse.

A razão é simples: não quero, cansei.

Ponto final. É isso.

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Mais sobre mim

Manu Rangel | March 19, 2009

Eu não sou “meio” nada.

Eu sou inteira no que quer que eu faça,

Em tudo.

Não sou “metade” de ninguém.

Não sou o que é essencial

Sou o que é delicioso

Sou o feriado ensolarado.

Sou o complemento,

A sobremesa.

Sou o último e mais saboroso

Desfecho.

Sou supérflua.

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Impressão

Manu Rangel | February 3, 2009

Às vezes sinto como se tivesse começado a escrever antes mesmo de aprender a falar.

Não que eu ache isso bom. Não sou daqueles que tomam a escrita como um dom e vociferam seus feitos aos quatro ventos.

Para mim, é muito mais: trata-se de manter-me viva nesse mundo.

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Todo mundo tem um pouco de Maysa

Manu Rangel | January 10, 2009

Nem adianta negar, todo mundo tem um pouco de Maysa.

O @inagaky acabou de passar esse link no twitter e eu eu faço questão de colocar por aqui também. É uma entrevista da moça reproduzida no Pop Cabeça e que vale muito a pena se lida.

Tá aqui a matéria. Pedacinho:

“Você se sente sozinha? Tem medo de ficar sozinha?

Pavor. Quando estou só, tenho certeza de que sou maior do que eu mesma e isto me apavora. Ninguém deve conhecer a sua própria dimensão.”

Não deixe de ler o resto.

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