Manu Rangel

do nada: tudo. e de tudo um pouco.
  • rss
  • Home

A vida é um pisca-pisca

Manu Rangel | October 29, 2009

Por essas e por outras, amigo, que Monteiro Lobato é gênio. E Emília é um dos personagens da literatura de todos os tempos que mais amo.

Por um mundo com mais Monteiro Lobato para todos:

” – A vida, senhor Visconde, é um pisca-pisca. A gente nasce, isto é, começa a piscar. Quem para de piscar, chegou ao fim, morreu. Piscar é abrir e fechar os olhos – viver é isso. É um dorme e acorda, dorme e acorda, até que dorme e não acorda mais (…) A vida das gentes neste mundo, senhor Sabugo, é isso. Um rosário de piscados. Cada pisco é um dia. Pisca e mama, pisca e brinca, pisca e estuda, pisca e ama, pisca e cria filhos, pisca e geme os reumatismos, e por fim pisca pela última vez e morre.

- E depois que morre?, perguntou o Visconde.

- Depois que morre, vira hipótese. É ou não é?”

Comments
4 Comments »
Categories
poesia prosa poesia em prosa
Comments rss Comments rss
Trackback Trackback

Tiquinho

Manu Rangel | October 10, 2009

Juro que eu queria

Um pedacinho seu assim

Pelo menos um pouquinho

De você só pra mim

Não deu, paciência

Fim.

.

.

.

Cué cué cué…

Comments
No Comments »
Categories
poesia prosa poesia em prosa
Comments rss Comments rss
Trackback Trackback

Só essa só

Manu Rangel | August 12, 2009

Essa coisa de rir quando estou nervosa

Essa disposição, essa preguiça

Esse amor pela música, essa adoração pelo silêncio

Esse fascínio em rir à toa

Esse meu jeito que muda com a lua cheia

Esse insistimento em gostar de dias cinzas

Esse encantamento pelo sol

Esse ar paranóico-realista

Essa vontade de andar por aí

Esse hábito de começar a ler a revista da última página

Essa dependência de café

Esse medo que eu tenho do escuro

Essa impaciência quando chega a fome

Essa bobeira que me toma quando vem o sono

Essa lerdeza matutina

Essa teimosia em tentar ser completa

Esse hábito de chorar só porque me lava

Essa língua por que eu vivo pagando

Essa ideia que não para de mudar

E de voltar a ser a mesma

Essa fraqueza gigante para as dores do coração

E essa força inexplicável para suportar as dores do corpo

Essa vergonha que me faz calar

Essa coisa de não calar a boca nunca

Essa mão que continua a escrever poesia

Quando deveria aprender a fazer contas

Esse romance incurável

Essa eu só isso

Isso só

Só isso só

Essa eu somente.

Comments
4 Comments »
Categories
poesia prosa poesia em prosa
Comments rss Comments rss
Trackback Trackback

É ela

Manu Rangel | July 10, 2009

A lua entrou na sala

e me levou pela mão para a rua

Na volta pra casa

me deixou de presente

um sorriso leve no peito

Impune

a lua invadiu a sala

e me levou pela mão para a rua

O castigo por esta estripulia

quem diria

não demorou nada a chegar

Logo veio o dia

e a vida sem lua

retomou seu lugar.

Comments
2 Comments »
Categories
poesia prosa poesia em prosa
Comments rss Comments rss
Trackback Trackback

Justificativa

Manu Rangel | May 17, 2009

Se eu sou descompensada?

Claro que sim

escrevo poesia!

Se não fosse descompensada

poesia não escreveria.

Comments
No Comments »
Categories
poesia prosa poesia em prosa
Comments rss Comments rss
Trackback Trackback

Mais sobre mim

Manu Rangel | March 19, 2009

Eu não sou “meio” nada.

Eu sou inteira no que quer que eu faça,

Em tudo.

Não sou “metade” de ninguém.

Não sou o que é essencial

Sou o que é delicioso

Sou o feriado ensolarado.

Sou o complemento,

A sobremesa.

Sou o último e mais saboroso

Desfecho.

Sou supérflua.

Comments
4 Comments »
Categories
contemporâneas, ficções, observações, poesia prosa poesia em prosa
Comments rss Comments rss
Trackback Trackback

Impressão

Manu Rangel | February 3, 2009

Às vezes sinto como se tivesse começado a escrever antes mesmo de aprender a falar.

Não que eu ache isso bom. Não sou daqueles que tomam a escrita como um dom e vociferam seus feitos aos quatro ventos.

Para mim, é muito mais: trata-se de manter-me viva nesse mundo.

Comments
No Comments »
Categories
Geral, observações, poesia prosa poesia em prosa
Comments rss Comments rss
Trackback Trackback

Todo mundo tem um pouco de Maysa

Manu Rangel | January 10, 2009

Nem adianta negar, todo mundo tem um pouco de Maysa.

O @inagaky acabou de passar esse link no twitter e eu eu faço questão de colocar por aqui também. É uma entrevista da moça reproduzida no Pop Cabeça e que vale muito a pena se lida.

Tá aqui a matéria. Pedacinho:

“Você se sente sozinha? Tem medo de ficar sozinha?

Pavor. Quando estou só, tenho certeza de que sou maior do que eu mesma e isto me apavora. Ninguém deve conhecer a sua própria dimensão.”

Não deixe de ler o resto.

Comments
No Comments »
Categories
Geral, contemporâneas, observações, poesia prosa poesia em prosa
Comments rss Comments rss
Trackback Trackback

Por que eu gosto de Fernando Pessoa?

Manu Rangel | November 28, 2008

Porque ele consegue explicar quem somos. Por essas e por outras:

“…Eu adoro todas as coisas E o meu coração é um albergue aberto toda a noite. Tenho pela vida um interesse ávido Que busca compreendê-la sentindo-a muito. Amo tudo, animo tudo, empresto humanidade a tudo, Aos homens e às pedras, às almas e às máquinas, Para aumentar com isso a minha personalidade. Pertenço a tudo para pertencer cada vez mais a mim próprio E a minha ambição era trazer o universo ao colo Como uma criança a quem a ama beija. Eu amo todas as coisas, umas mais do que as outras, Não nenhuma mais do que outra, mas sempre mais as que estou vendo Do que as que vi ou verei. Nada para mim é tão belo como o movimento e as sensações. A vida é uma grande feira e tudo são barracas e saltimbancos. Penso nisto, enterneço-me mas não sossego nunca. …” Fernando Pessoa)

Comments
1 Comment »
Categories
poesia prosa poesia em prosa
Comments rss Comments rss
Trackback Trackback

Machado de Assis

Manu Rangel | September 29, 2008

Joaquim Maria Machado de Assis. Mais conhecido como Machado de Assis, é o meu escritor preferido.
Seus trabalhos são geniais, sua ironia e seu sarcasmo na maneira de descrever o Rio de Janeiro daquela época são incomparáveis. A gente vê os personagens de Machado com clareza absoluta, tamanha a capacidade que tinha em descrever pessoas, fatos, situações. Não tem como ler Machado sem se transportar para a pobre e fétida cidade do rio de Janeiro da segunda metade do século IXX. A mesma cidade que é retratada de forma azeda por Machado é tão povoada de personagens únicos e encantadores – mesmo os mais desprezíveis, que ironia! – que se torna até um pouco mais atraente.
Sempre que leio e releio Machado me sinto como uma de suas personagens, não importa quem. É incrível como a forma do escritor relatar o universo ao redor é perfeita a ponto de sentirmos cheiros, gostos, de ficarmos constrangidos com situações passadas nas páginas das obras.
Não consigo precisar qual é a minha leitura favorita quando se trata de Machado. Machado é o meu favorito, independentemente do livro que eu esteja lendo. Ou relendo.
Ainda vou consegui desvendar os famosos e famigerados olhos de ressaca de Capitu, talvez a mais conhecida personagem de Machado. E a mais difícil de se explicar, contudo.
Confesso não ser a minha favorita, mas também me fascina.
O melhor início de livro de todos os tempos é dele também. Não adianta, não tem para ninguém:
“AO VERME QUE PRIMEIRO ROEU AS FRIAS CARNES DO MEU CADÁVER DEDICO COMO SAUDOSA
LEMBRANÇA ESTAS MEMÓRIAS PÓSTUMAS”

Memórias Póstumas de Brás Cubas foi publicado em 1881.
Não é somente o início do Realismo tupiniquim não. Ora, é muito mais!
Para começo de conversa, o narrador é um morto. Um morto bastante agressivo nas suas declarações. Mas, o que se poderia fazer contra ele? Até morto o cidadão já está…
É bem verdade que, quando vivo, sua existência não foi das mais exuberantes, ele não era nenhum exemplo para ninguém e nem se consagrou por nada. Ou seja, como a maioria de nós.

Mas o fato maior é esse: todos somos machadianos, todos somos personagens de Machado, todos somos Machado.

Agora me despeço, vou ler Machado.

E você também deveria.

“Ao leitor
Que Stendhal confessasse haver escrito um de seus livros para cem leitores, coisa é que admira e
consterna. O que não admira, nem provavelmente consternará, é se este outro livro não tiver os cem
leitores de Stendhal, nem cinqüenta, nem vinte, e quando muito, dez.. Dez? Talvez cinco. Trata-se, na
verdade, de uma obra difusa, na qual eu, Brás Cubas, se adotei a forma livre de um Sterne, ou de um
Xavier de Maistre, não sei se lhe meti algumas rabugens de pessimismo. Pode ser. Obra de finado.
Escrevia-a com a pena da galhofa e a tinta da melancolia, e não é difícil antever o que poderá sair desse
conúbio. Acresce que a gente grave achará no livro umas aparências de puro romance, ao passo que a
gente frívola não achará nele o seu romance usual; ei-lo aí fica privado da estima dos graves e do amor
dos frívolos, que são as duas colunas máximas da opinião.
Mas eu ainda espero angariar as simpatias da opinião, e o primeiro remédio é fugir a um prólogo explícito e longo. O
melhor prólogo é o que contém menos coisas, ou o que as diz de um jeito obscuro e truncado. Conseguintemente, evito
contar o processo extraordinário que empreguei na composição destas Memórias, trabalhadas cá no outro mundo. Seria
curioso, mas nimiamente extenso, aliás desnecessário ao entendimento da obra. A obra em si mesma é tudo: se te agradar,
fino leitor, pago-me da tarefa; se te não agradar, pago-te com um piparote, e adeus.
Brás Cubas”

Comments
No Comments »
Categories
Geral, contemporâneas, observações, poesia prosa poesia em prosa
Tags
Brás Cubas, Literatura Brasileira, Machado de Assis, Rio de Janeiro, século IXX
Comments rss Comments rss
Trackback Trackback

« Previous Entries

Manu Rangel

Manu Rangel é aquele tipo de pessoa que vive querendo ganhar na loteria. Mas nunca aposta. E sempre reclama da sorte.

adopt your own virtual pet!

lastfm

Agradecimentos Especiais

Agradeço especialmente ao Bruno Alves (www.brpoint.net), pela hospedagem e eterna boa-vontade. Agradeço infinitamente ao Victor Pencak (www.victorpencak.com) por tudo. Hoje e sempre! É um moço de muito futuro, o rapaz!!! Mais ainda pela paciência comigo.

Twitter Updates

    Blogroll

    • bruno alves
    • Carol Rajão
    • daniel gomes
    • everton fraga
    • fabio seixas
    • hang the dj
    • juju gontijo
    • lou martins
    • Mari G
    • mestre toni vargas
    • My Space Quilombos Urbanos
    • Procura-se Manicure
    • quilombos urbanos
    • trânsito
    • vai que cola
    • van de sande
    • victor pencak

    Categories

    • 2007
    • ano novo 2008
    • contemporâneas
    • ficções
    • Geral
    • observações
    • poesia prosa poesia em prosa
    • R.I.P. antigo blog

    Recent Posts

    • Umbiguismo e Banananologia
    • A vida é um pisca-pisca
    • Tiquinho
    • Só essa só
    • É ela

    Archives

    • February 2010
    • October 2009
    • August 2009
    • July 2009
    • May 2009
    • March 2009
    • February 2009
    • January 2009
    • December 2008
    • November 2008
    • October 2008
    • September 2008
    • August 2008
    • July 2008
    • June 2008
    • May 2008
    • April 2008
    • March 2008
    • February 2008
    • January 2008

    Meta

    • Log in
    • Entries RSS
    • Comments RSS
    • WordPress.org

    My Flickr

    www.flickr.com
    Itens de Manu Rangel Vá para Manu Rangel galeria
    rss Comments rss valid xhtml 1.1 design by jide powered by Wordpress get firefox
    Podcast Powered by podPress (v8.8)