Manu Rangel

do nada: tudo. e de tudo um pouco.
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acho que não é pedir muito

Manu Rangel | March 28, 2008

olha, sinceramente, não sei dizer o motivo. não sei se é influência das historinhas contadas nos saudosos discos coloridos que rodopiavam nas vitrolas de nossa infância. não sei se é pelos causos com finais felizes – na realidade e na ficção – que tanto ouvi falar e mesmo vi. não sei se é pela força das letras de chico e cartola e tantos outros. mas o que eu, mulher, manu, manuba, madrugada, como toda e qualquer mulher, quero mesmo é o tal do príncipe.

não precisa nem ser encantado e nem perfeito… mas que seus defeitos façam parte de um charme todo próprio e que componham aquelas esquisitices singulares que cada homem tem e que cada mulher enxerga a seu modo.

é sério: perfeição eu dispenso. até porque esse papo de ser perfeito é meio cansativo.

o que eu quero mesmo é um olhar que bate e um sorriso que afaga. bom humor e ranhetice de mãos dadas.

quero um beijo que pare o mundo. quero colo. como mulher, quero cuidar e ser mimada.

quero praia de manhã e quero que ele entenda que estar quieta não é estar mal-humorada. que falar sozinha é normal sim e que tudo fica mais difícil quando eu tô na TPM.

quero um príncipe que goste de rir. mas que saiba ser sério para lutar.

que ame a música e que aprecie maravilhosas horas de silêncio.

que chore e que me seque as lágrimas.

que bote fé no ser humano, no Criador e nas mais bizarras criaturas.

que no meio dessa minha loucura toda entenda que isso tudo é muito normal.

que enxergue que, apesar do meu tamanho e do tom meio rouco pra falar, sou uma rosa que “tem quatro espinhos e nada para defendê-la do mundo”.

que goste de mim e só de mim. e que eu goste dele. e que a gente seja.

e no meio dessa existência tão simples e possível, a gente ainda vá parar nos discos das historinhas.

para que assim, ouvintes futuras – e sempre atentas – também aprendam a projetar sonhos, exercer sonhos. e conhecer príncipes.

que seja só isso. tudo. e, claro, que seja hétero…

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o mundo de cada um em 08 de março

Manu Rangel | March 25, 2008

os garotos balançam nas cordas das árvores do açude.

os meninos se penduram na corda que os deixa na água.

alguém fala do mundo lá fora

e meu mundo inteiro cabe nesse açude:

no balanço dos garotos na corda

no barulho que a água morena faz quando encontra seus corpos

esguios e displicentemente morenos.

no balanço da árvore que às vezes só uma de suas metades

balança.

esse mundo todo aqui

no açude.

me cabe,

basta.

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no reino da capoeiragem

Manu Rangel | March 20, 2008

os que vieram primeiro.

nesse tal reino existem dois meninos. são crianças. criança é criança e pronto. e essa é a melhor palavra para elogiar alguém. chamar de criança.

são dois meninos diferentes, porém:

um está vivendo um momento muito interessante: sabe aquela época da nossa vida que a gente quer engolir o mundo em um segundo? e de uma maneira própria que ninguém, por mais que tente, consegue entender? por isso fala. e fala. e fala. e grita porque alguém precisa escutar, afinal! é um mocinho bem observador, contudo (e seu irmão também).
esse moreninho de que falo é extremamente sensível e futuro grande músico. tem uma coisa no jeito de olhar que parece um raio-x e, com isso, consegue ler comportamentos como um desses sábios anciões que a gente sempre admira a barba branca. é o máximo porque, ainda por cima, gosta de belchior.

o outro menino, seu irmão, um pouco mais jovem e de pele mais clara, tem o olho puxadinho e um sorriso que dá vontade de comer! tem hora própria, o menino. opinião também. nessa propriedade toda ele acorda quando vamos dormir e dorme quando o mundo tá correndo. depois, abre os olhos, vira o rosto… “tô com sono, pô!”
mas é só pedir com jeito que o sorriso abre de novo e começam palavras doces e sagazes toda vida a sair por entre os dentes (que caem…). claro, de vez em quando, ele olha uma escada e alerta: sabia que você pode morrer se cair dessa escada? vai saber…

esses meninos são lindos que só. e sempre surpreendentes.
eles têm uma mãe que parece uma guerreira. alta, morena, forte e bela. imbatível. combustível da família. iansã. barulho e silêncio. calma e nervosismo. coordenadora.
aliás, não parece guerreira, é. e muito e sempre!
além desses dois filhos, tem o filho-marido, o filho-agregado e todos os outros filhos-do-coração (alguns deles espalhados nas duas carruagens que seguiram nessa odisséia). adora rir! rir com, para e da cara dos outros. aliás, essa é uma característica comum a todos desse tal reino…
batalha muito e protege. é mãe, é fonte. e uma grande, enorme amiga. nem preciso contar porque pessoas especiais a gente sente, não explica.

tem um rapaz, um cabeludo de vinte e poucos anos, que é músico (e motorista). falando assim, há dois. mas esse de que falo é motorista de perereca.

o outro músico viajandão dirige um negão (por mais estranho que isso soe…). dele, falamos depois.

enfim, o tal rapaz que dirige a tal perereca atômica é gente boa que só. o sorriso franco ele herdou do pai. a boa-vontade e paciência são características marcantes. sabe de poesia, sabe o que quer. sabe que vai. sabe jogar capoeira. e sabe muito bem quem se manda para a china ou não. sabe falar e ficar quieto. acorda engraçado e acha tudo engraçado quando acorda. acho que nunca vi o rapaz de mau humor. sempre centrado. talvez por já ter visitado as experiências do inconseqüente.
é curioso e inteligente: não tem vergonha de perguntar.
arranjou uma companheira muito querida e que é sua versão feminina e complementar.essa, veio de outro reino, bem distante. mas parece que nasceu e foi criada com o povo do cacique (tem um cacique nesse reino de que falo). adora comer bananas e beber bastante água, assim como eu. ou seja, uma figura. com um vocabulário afiado e um senso de humor de poucos, soma e multiplica. em todos os sentidos, pois é boa de matemática também. vai buscar suas coisas em casa e logo vem de vez. ainda bem! precisamos de mais gente assim por aqui. vivendo aqui. sendo aqui. e assim.
mas falar em separado desse casal peculiar é difícil porque a figura jovem dos dois forma uma coisa só. bastante sincera, real e divertida. ele: “o volante travou, vou bater, galera”.e ela: “tá.”… !!! amizade nova, amizade que parece já velha amiga!

um dia, chegou nesse reino um careca que veio de um lugar de muitas águas. esse é lutador. veio porque quer ficar mais perto do cacique. precisa beber novas águas, águas mais fortes, talvez. veio porque sabe que aqui é o seu lugar.
é outro que adora dar risada. mas acorda de mau humor e implica com a gente. joga muita capoeira mas parece que não consegue perceber isso. os outros habitantes estão no reino para fazer com que ele acredite em seu jogo, ajudar. disso ele sabe. e ajuda todo mundo também. ah! adora chuveiros. conta piada e a gente ri. conta piada e ri sozinho. e canta como um sabiá.

o outro habitante é dos mais estranhos… e é engraçado até quando não quer. por mais que tente ser chato, não adianta, não consegue. é engraçado mesmo assim. e faz a gente rir até quando não está. ele ainda não sabe que chatice é bom, deve ser isso. fala com um carro como se falasse com um príncipe… acorda de manhã e faz café – bom o café -, mas quer mesmo é tocar violão. é grande, bonito, alto, parece um cavalo de tróia. tem 200 anos às vezes. às vezes, 2. olha e não dá pra saber se é aprovando ou reprovando. parece olhar de pai, parece olhar de filho. se diz ansioso mas é calmo. é filho do cacique também. é do coração. diz que desgosta das manias dos outros porque, mesmo jovem, já viu que nessa vida há manias desgostosas. hoje vive de suco e regras. mas é totalmente não-convencional e essencial e adorável como todos os personas dessa saga.

quem comanda isso tudo é um cacique.

o cacique dessa tribo metamórfica é um mestre-poeta-careca-cabeludo-cantador-pai-filho-amigo-irmão-que-palavras-não-bastam. anda pelo mundo com seu berimbau, seu coração em eterno conflito e sempre em paz, com suas guias, forças e crenças e um sorriso largo que acalma, seguido de um olhar que assusta e dá confiança. um silêncio que está sempre berrando por aí, aos quatro ventos, que veio tanto para ficar, como para ser.

todos sobre os quais falamos são pequenos retratos formados um pelo outro. a cola para prender tantas caras, manias e sorrisos é o cacique, é o mestre. é o fio. é ele a figura formada e formadora desses personas. é mestre no sentido mais amplo e viral, visceral da palavra. é coração. é medo, coragem, dedicação. é coisa, é bicho, é gente, é E.T., é falta de adjetivo para explicar. o homem ainda não teve capacidade de criar palavras para certas existências.
nesse reino, são todos iguais, todos diferentes. as características são únicas, mas estão em cada traço de cada morador do reino.

numa madrugada dessas qualquer, ainda vou morar lá também…

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guardanapo

Manu Rangel | March 18, 2008

adoro esse papel-

zinho

que faz a gente

quebrar as pala-

vras.

tinha que ser

assim na vida

também:

faz uma coisa,

dá um

                 espaço,

calma…

com um tracinho

, -

eu me refaço.

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rotina

Manu Rangel | March 13, 2008

fugir da perfeição

em busca do humano.

correr da harmonia

para ver o concreto.

acordar do sonho

e bendizer a realidade.

abrir os braços,

fechar os olhos,

enxergar a verdade.

andar para frente,

falar pouco,

levantar cedo:

(lavar o rosto e passar o café).

correr para o mar.

e respirar, respirar, respirar.

bater perna, bater braço.

nadar, nadar, nadar.

bater o pé. bater o pé:

negar, renegar, teimar.

sentar na areia,

secar ao vento.

é hora de ir trabalhar.

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contínuo fascínio pela cultura japonesa

Manu Rangel | March 11, 2008

É verdade, eles tomam alguma coisa além de chá verde. E depois vão todos para a televisão gastar a onda. Só pode, minha gente, não é possível.

Graças a eles, meus dias tornam-se cada vez melhores, coloridos, extravagantes.

Depois dessa, o pessoal lá na África pode até não ter morrido de fome, mas alguns certamente morreram de rir…

E os jurados concordam, como poderão atestar:

quem é o favorito de vocês? A Cindy Lauper está sensacional, mas não consigo me decidir entra ela, o Stevie e o Michael!

Vamos todos cantar juntos! Viva a cultura televisiva japonesa!

We are the woooorrrrrrrrllllllllllllldddddddd………

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viagem

Manu Rangel | March 10, 2008

os sapatos eu deixei na estrada

sigo descalça a caminhada

do silêncio que busco

com a água que cai da pedra

me lavo da canseira

com o vento detrás da árvore

afasto dos meus olhos essa poeira

e desço mais uma trilha

os orixás me protegem

e eu sigo

minha obra eles regem

e eu confio

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manual de sobrevivência

Manu Rangel | March 7, 2008

Abaixo, um pequeno vídeo com ótimas dicas para se viver em sociedade.

As listinhas são impagáveis.

E, por favor, não se esqueça do escolher o desodorante certo para você:

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quando há beleza no machismo

Manu Rangel | March 4, 2008

trecho do samba da bênção quando, o mais vividamente possível, vinicius exalta o machismo e seu amor explícito por ele!

como faço sempre – há músicas que ouço todo dia, religiosamente -, estava escutando esse samba e com ele, confesso: por mais mulher-independente-que-não-leva-desaforo-pra-casa que eu seja, sou fã do machismo.

pelo menos do machismo de vinicius…

e de tudo o mais por ele abordado, seduzido, todos os pensamentos abduzidos! e de todas as formas… seus ídolos, sua religião, sua constante bebedeira lúdica e racionalmente desprezível…

o poetinha é tão genial em sua obra que transforma o machismo: de repugnãncia em adoração.

a bênção, amigo!

(…)

Senão é como amar uma mulher só linda
E daí? Uma mulher tem que ter
Qualquer coisa além de beleza
Qualquer coisa de triste
Qualquer coisa que chora
Qualquer coisa que sente saudade
Um molejo de amor machucado
Uma beleza que vem da tristeza
De se saber mulher
Feita apenas para amar
Para sofrer pelo seu amor
E pra ser só perdão

(…)

Feito essa gente que anda por aí
Brincando com a vida
Cuidado, companheiro!
A vida é pra valer
E não se engane não, tem uma só
Duas mesmo que é bom
Ninguém vai me dizer que tem
Sem provar muito bem provado
Com certidão passada em cartório do céu
E assinado embaixo: Deus
E com firma reconhecida!
A vida não é brincadeira, amigo
A vida é arte do encontro
Embora haja tanto desencontro pela vida
Há sempre uma mulher à sua espera
Com os olhos cheios de carinho
E as mãos cheias de perdão
Ponha um pouco de amor na sua vida
Como no seu samba

(…)

Eu, por exemplo, o capitão do mato
Vinicius de Moraes
Poeta e diplomata
O branco mais preto do Brasil
Na linha direta de Xangô, saravá!
A bênção, Senhora
A maior ialorixá da Bahia
Terra de Caymmi e João Gilberto
A bênção, Pixinguinha
Tu que choraste na flauta
Todas as minhas mágoas de amor
A bênção, Sinhô, a benção, Cartola
A bênção, Ismael Silva
Sua bênção, Heitor dos Prazeres
A bênção, Nelson Cavaquinho
A bênção, Geraldo Pereira
A bênção, meu bom Cyro Monteiro
Você, sobrinho de Nonô
A bênção, Noel, sua bênção, Ary
A bênção, todos os grandes
Sambistas do Brasil
Branco, preto, mulato
Lindo como a pele macia de Oxum
A bênção, maestro Antonio Carlos Jobim
Parceiro e amigo querido
Que já viajaste tantas canções comigo
E ainda há tantas por viajar
A bênção, Carlinhos Lyra
Parceiro cem por cento
Você que une a ação ao sentimento
E ao pensamento
A bênção, a bênção, Baden Powell
Amigo novo, parceiro novo
Que fizeste este samba comigo
A bênção, amigo
A bênção, maestro Moacir Santos
Não és um só, és tantos como
O meu Brasil de todos os santos
Inclusive meu São Sebastião
Saravá! A bênção, que eu vou partir
Eu vou ter que dizer adeus
(esses fragmentos compõem apenas a parte falada da música).

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Manu Rangel

Manu Rangel é aquele tipo de pessoa que vive querendo ganhar na loteria. Mas nunca aposta. E sempre reclama da sorte.

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Agradecimentos Especiais

Agradeço especialmente ao Bruno Alves (www.brpoint.net), pela hospedagem e eterna boa-vontade. Agradeço infinitamente ao Victor Pencak (www.victorpencak.com) por tudo. Hoje e sempre! É um moço de muito futuro, o rapaz!!! Mais ainda pela paciência comigo.

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